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Câncer de Boca

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), estima-se que mais de 14 mil brasileiros terão câncer de boca durante o ano de 2013 e mais de 4,8 mil pacientes irão morrer desta doença ao longo do mesmo período. Considerando apenas a região Nordeste, o câncer da cavidade oral é o quarto mais frequente em homens e o oitavo, em mulheres.
Tumores em cavidade oral têm como característica principal a invasão local com grande destruição tecidual, associada a metástases locoregionais. Metástases à distância não são frequentes mas podem ocorrer. Dentre os tipos histológicos que acometem este sítio, destaca-se o carcinoma epidermóide. Outros tipos menos frequentes são: cânceres de glândulas salivares e sarcomas.
O uso de álcool e o tabagismo são os dois principais fatores de risco para o desenvolvimento do carcinoma epidermóide em cavidade oral, mas o hábito de mastigar tabaco, a infecção pelo papilomavírus (HPV), as doenças periodontais, as próteses dentárias mal adaptadas, a radiação e as imunodeficiências podem também gerar esse tipo de tumor.
A suspeita diagnóstica é realizada após a queixa do paciente de uma mancha ou ferida na cavidade oral que não cicatriza. O exame físico direcionado é formado pela oroscopia e pelo exame do pescoço. Na oroscopia observa-se sítio, tamanho, cor, dor e infiltração a planos profundos. No exame do pescoço, deve-se avaliar presença de linfonodomegalias. A depender das características da lesão, pode-se realizar uma biópsia incisional ou excisional para confirmação diagnóstica.
Após firmado o diagnóstico de carcinoma epidermóide, é realizado o estadiamento (T, N, M). Além do exame físico já descrito, é importante realizar tomografias computadorizadas (TC) de face e pescoço, além de radiografia simples do tórax. Busca ativa por doenças sincrônicas é feita através de nasofibroscopia e endoscopia digestiva alta, uma vez que os fatores de risco implicados na gênese de câncer de boca são os mesmos que para outros cânceres no trato aerodigestivo alto.
Uma vez definido o estadiamento, são indicadas ao paciente propostas terapêuticas, as quais incluem: ressecção cirúrgica, radioterapia e quimioterapia. Tais condutas dependerão da avaliação global do paciente e do estadiamento. Basicamente, salvo os carcinomas in situ, os pacientes serão submetidos a ressecção cirúrgica do sítio primátio, com esvaziamento cervical. Tratamentos adjuvantes com radio e quimioterapia serão definidos após análise anatomopatológica do tecido ressecado.
O câncer de cavidade oral é uma afecção prevalente, principalmente na população exposta ao tabagismo e ao etilismo. O diagnóstico realizado precocemente associado com tratamentos específicos melhora o prognóstico, aumentando a chance de cura e a qualidade de vida dos pacientes. Ratifica-se, portanto, a importância do autoexame diário bem como a ida regular ao dentista, pois são estes profissionais que muitas vezes fazem o diagnóstico precoce, aumentado consideravelmente as chances de cura.
 
Drº Leonardo Rios – CRM/BA 17922
Cirurgião de Cabeça e Pescoço pela Universidade São Paulo – HC-FMUSP
Título de Especialista em Cirurgia de Cabeça e Pescoço pela Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço
Doutorando da Universidade São Paulo em Clínica Cirúrgica
Membro do Brazilian Head and Neck Genome Project (GENCAPO)

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