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31 de MAIO- DIA MUNDIAL SEM TABACO


Dados históricos apontam para a América central como o berço do uso do tabaco desde o ano 1000 a.C. Quando colombo aqui chegou no século XV existiam plantações de tabaco por todo o continente.  Com a colonização europeia, logo a erva se espalhou pelo mundo. Na época lhe eram atribuídas propriedades medicinais.  Após as duas grandes guerras o cigarro ganhou fama, vinculado ao glamour de artistas Hollywoodianos ou como sinônimo de liberdade e rebeldia cultivadas pelos hippies.  Só a partir de 1930, começaram a surgir estudos apontando os malefícios do cigarro com os estudos dos britânicos Doll e Hill, que estabeleceram a relação entre tabagismo e câncer de pulmão.  A partir da década de 80, as políticas de combate ao cigarro ganharam abrangência mundial, num momento em que o cigarro já era considerado uma epidemia.   Em 1987, a Organização Mundial da Saúde instituiu o “Dia Mundial sem Tabaco” no dia 31 de maio, promovendo um alerta global contra os males do cigarro. Outro marco foi a Convenção Quadro, promovida em 1999 pela OMS, quando foi adotado um conjunto de medidas, compartilhado por mais de 190 países, com o intuito de reduzir o consumo do cigarro através de impostos, conscientização da sociedade, proibição de propaganda, inclusão de alertas nas embalagens dos produtos, proibição do cigarro em ambientes fechados, entre outras ações.
Ainda hoje, após grandes avanços na campanha contra fumo conquistados nas duas últimas décadas, um terço da população mundial ainda fuma e o cigarro é responsável por 5,4 milhões de mortes.
 
 
No Brasil , segundo o IBGE, em torno de 18% da população é fumante, com o resultante de duzentos mil óbitos por ano, acarretando um alto custo para o SUS.  
O cigarro é responsável por 30% de todos os casos de câncer. Apesar de ser o mais comumente lembrado, por ser a principal causa de morte por câncer no mundo, a neoplasia maligna de pulmão não é a única a ser temida.  Os cânceres de rim, pâncreas, bexiga, estômago, esôfago, cavidade oral e nasal, faringe, laringe, colo uterino e leucemia já têm provada relação com o uso do cigarro. Nada assustador para um hábito que consiste na inalação de 4720 substâncias potencialmente tóxicas, sendo 60 delas cancerígenas.
Uma preocupação adicional é o fumo passivo. Pelo menos seis grandes estudos americanos já demonstraram um aumento de pelo menos 30% no risco de câncer de pulmão e 25 a 35% no risco de morte por infarto e derrame cerebral em pessoas não fumantes que convivem com tabagistas, principalmente quando expostos desde a infância e adolescência. Soma a isso o surgimento de doenças respiratórias em crianças expostas ao cigarro fumado pelos pais, além da mortalidade e distúrbios fetais em gestantes fumantes.
Dados do IBGE apontam que 90% dos fumantes acreditam no cigarro como causador de doença grave e mais da metade deles pensam em parar. Então, porque não param? A resposta vem da alta dependência física que o corpo desenvolve à nicotina, além do forte vínculo psíquico envolvido no hábito de fumar. Dados americanos e brasileiros mostram que mais de 80% das pessoas falham na primeira tentativa de parar de fumar. Os sintomas de retirada da nicotina - agitação, insônia, cansaço, ansiedade, depressão, irritabilidade, queda da frequência cardíaca e o ganho de peso, principalmente nas primeiras semanas, constituem a principal barreira.  Felizmente, a taxa de sucesso sobe consideravelmente com ajuda médica e de uma equipe multidisciplinar. O uso de reposição de nicotina pela pele ou gomas de mascar, o emprego de antidepressivos ou antagonistas dos receptores de nicotina como a bupopriona e a vanericlina, respectivamente, associados ao apoio psicológico e mudanças comportamentais, são instrumentos já usados e de eficácia comprovada em estudos clínicos.
O cigarro é a principal causa de câncer evitável. No Brasil, 150 mil novos casos de câncer poderiam ser evitados por ano sem o tabaco.  O Dia 8 de abril foi o Dia Mundial de Combate ao Câncer e o dia 31 de maio, Dia Mundial sem Tabaco, é um momento oportuno para refletir sobre a importância de divulgar para a sociedade o prejuízo inestimável do cigarro para aqueles que pensam em começar a fumar e da necessidade de incentivo e apoio, tanto familiar quanto de uma equipe de saúde, para que aqueles que fumam deixem o vício.
Dr. Samuel Oliveira de Afonseca
CRM: 17.904
Oncologista Clínico do Instituto de Oncologia da Bahia – ION
 
 
 

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